mim
- mariana eva

O rock latino do mim no CD ‘eu mim meu’
A
voz, quase sussurrada, é provocativa: “¿si
te digo un secreto me lo crees?”
O segredo em questão é o primeiro álbum
do mim [assim mesmo, em minúsculas], um dos mais interessantes
da nova safra do Rio de Janeiro. eu mim meu, lançamento
Lua Music, é o resultado do vôo-solo da cantora,
compositora e guitarrista Eva, saída de uma das mais
importantes bandas punks cariocas dos anos 90, o Polux.
Após a dissolução do grupo [que também
gerou o Leela], Eva abriu-se para uma diversidade sonora que
veio dar no seu rock latino. Além da veia punk, passou
a lidar com o trip hop, o pop, a bossa nova, o baião,
o pós-punk, a música latina, ruídos e distorções.
Sob a batuta de nomes da produção contemporânea
brasileira, Eva deu forma à sua nova identidade. Jr TOSTOI
[guitarrista de Lenine e do Vulgue Tostoi] produziu grande parte
do álbum. Também produziram Marcos Cunha, Victor
Z, Rodrigo Campelo [responsável pelo último CD
de Fernanda Abreu] e Carlos Trilha [produtor do recente álbum
CD do Lobão].
Eva faz de suas letras pequeno mosaico de sentimentos, prazeres
[alguns sexuais, outros mórbidos], dúvidas, angústias
e provocações. Constrói algumas histórias,
é verdade. Mas seus personagens são normais, corriqueiros,
podem ser um pouco dela mesma ou de você. Essa diversidade
– de temas e sons – compõe aquilo que ela
chama de “pop pervertido”. Um pop que não
se encaixa no inflexível e ultrapassado padrão
sonoro estabelecido pelo mercado, apesar de possuir belas melodias
e ser atraente de primeira.
A abertura do CD é estratégica: Eva parte de sua
origem rocker para desenhar as influências adquiridas
pós-Polux. Assim vai alinhavando ritmos a partir da dançante-pós-punk
Tanto Fez – Franz Ferdinand, Bloc Party e Killers. Uma
mostra do universo bizarro-erótico de seus versos que,
às vezes, são feitos em espanhol. Ela nasceu na
Argentina e morou um bom tempo por lá.
A viagem continua com o trip hop Hoje, que traz sussurros sobre
BPMs desacelerados. Além de emocionante, demonstra que,
apesar da praia e do sol, o Rio também gera climas tristonhos
e melancólicos. E versos como “Sonhei com uma roseira
onde nasciam uvas/ Em um jardim de gatos em vez de capim/ Meninas
ruivas fugindo da chuva/ Que choravam lágrimas de pedras”,
podem servir tanto para ilustrar cartões de Natal quanto
inspirar coleção de desfile de moda – como
de fato inspirou na mais recente edição do Fashion
Rio.
Eva imaginou o repertório como sendo os dois lados de
um disco. “Todo mundo ouve o início do disco no
carro. Eu tenho o costume de conhecer a parte final também”,
explica.
O que explica a sétima faixa, Lado B. Aqui ela retoma
o início do “lado A” sobre ruídos
e riffs de guitarra. Provoca com risadas maliciosas e divagações
– em português e espanhol sobre um tal segredo.
PJ Harvey total, pegando o que há de melhor da cantora
inglesa, como berros periódicos e uma ‘certa’
sensualidade. Esse ‘segundo lado’ caminha ainda
mais pela eletrônica traz as definitivas versões
de A Mancha e Subte A, do repertório do Polux. Antes
punk, ganharam groove irresistível com loops invertidos,
levadas funky e samplers. Ótimo exemplo de combinação
entre mistério, sadismo, sexo e violência.
Mórbido, excitante, instigante, estimulante, provocativo,
sensual. Eletrônico, pop, rock, latino, brasileiro. Embarque
por uma prazerosa viagem pelo universo da boa música.
E depois de onze belas faixas, descubra o mim que há
dentro de você.
Abonico Smith é editor do site Bacana [www.bacana.mus.br]
Visite
o site oficial do mim.
|
mim
- eu mim meu - The
Latin rock of “mim” in the CD “eu mim meu”.
The voice, almost whispered, is also provocative: "¿
si te digo un secreto me lo crees?”The secret in question
is the first album of “mim” (thus exactly, in small
letters) , one of most interesting of the new harvest of Rio de
Janeiro. ”eu mim meu” , by LUA MUSIC, is the result
of the solo project of the singer, composer and guitarist Eva,
coming from a band called Polux, one of the most underground punk
rock bands from Rio in the 90´s. After the dissolution of
the group (that also generated “Leela”), Eva converged
for a sonorous diversity that ended up in her latin rock. Beyond
the punk vein, she also started to deal with trip hop, pop, bossa
nova, “baião”, after-punk, latin music, noises
and distortions. Under the production of Brazilian contemporary
names like Jr. Tostoi, Eva gave form to her new identity. Jr Tostoi
(guitarist of Lenine and the Vulgue Tostoi) produced great part
of the album. Also they had produced Marcos Cunha, Victor Z, Rodrigo
Campelo (responsible for Fernanda Abreu´s last CD) and Carlos
Trilha (of Lobão´s recent CD) Eva makes of her lyrics
small mosaic of feelings, pleasures (some sexual , other morbids),
doubts, pains and provocations. Some estories are built, but their
actors are normal people, just like you and me. This diversity
- of subjects and sounds - composes what she calls "perverted
pop ". The opening of the CD is strategical: Eva starts from
her punk rock roots to draw influences acquired pos-Polux. Thus
it goes tacking rhythms from the one groovy-after-punk, “Tanto
Fez- Franz Ferdinand, Bloc Party and Killers”. A sample
of the erotic-bizarre universe of her verses that, time to times,
are sung in Spanish, as she was born in Argentina and spent a
reasonable time there. The trip continues with trip hop “Hoje”,
that it brings whispers on BPMs. Beyond being emotive, it demonstrates
that, despite Rio´s beach and sun lifestyle, Rio also generates
sadish and melancholic environments. Visit the official site of “mim”
|