Denise Reis - Alfândega
Co-produzido pelo percussionista Marcos Suzano, álbum
traz composições próprias e regravações
de Negro Gato e Miss Celie’s Blues
Classificada
como ‘garganta mágica’ pelo mestre Tito Madi
e decretada como ‘fadada ao sucesso’ por Jô
Soares, a mineira Denise Reis lança o segundo CD Alfândega.
Co-produzido por ela, por Marcos Suzano e o violonista Marcelo
Nami, o álbum já chama atenção pelo
trabalho gráfico, a cargo do craque Guili Seara, com
direção de arte de Mateus Valadares e arte final
de Túlio Linhares, a partir de fotos de Miguel Aun.
Gravado no estúdio Sambatown, de Suzano, o disco abre
com Irene, uma das oito parcerias de Denise e Renata Thurler,
que tem letra inspirada em Clarice Lispector. Essa música
foi apresentada, pela primeira vez, no Programa do Jô,
em 2003, e agradou tanto que provocou o recebimento de mais
de sete mil e-mails.
Mas o repertório é variado. A toada funkeada Berrante
traz um flerte com as raízes mineiras principalmente
pelo acordeon de Chico Chagas em diálogo com os violões
de Denise e Nami e a percussão de Suzano. A regravação
de Negro Gato, de Getúlio Cortes, dá espaço
para Denise se esbaldar com um de seus diferenciais, o trompete
feito com a boca.
Perseguição traz o clima de embate entre polícia
e camelôs, com direito a sons autênticos, registrados
pela compositora, na introdução. Dedicado a Paulinho
da Viola, o samba Coração a Capela nasce clássico,
numa cadência bonita que lembra o mestre homenageado.
A bossa de Tom Jobim é referência para Um Certo
Azul, com um verso que fica na memória à primeira
audição: “tenho medo de um amor desse tamanho”.
O samba-funk, Luciana, inspiradíssimo, vem na seqüência,
sério candidato a hit, com levada irresistível
e Denise demonstrando agilidade e malícia. Palhaço,
a primeira parceria com Renata, tem cores românticas e
tratamento urbano, mantendo a boa trama de acordeon, percussão
e violões. Com letra de Ronaldo Serruya, a faixa-título
é plena de humor e atitude (“morre, mas morre de
inveja”), alinhada ao conceito do CD, baseado, segundo
a cantora, em “nossas bagagens musicais, nossas referências
mixadas e traduzidas por nós”.
Com mais de uma década e meia de carreira, Denise chega
à maturidade, com um disco de cores firmes e plurais,
adequado à sua voz de temperatura tropical e técnica
mágica.
Kiko Ferreira, crítico musical
Denise Reis nasceu em Belo
Horizonte e há 11 anos vive no Rio de Janeiro. Começou
os estudos de violão aos 10 anos. A partir daí
participou de corais e firmou-se como um dos nomes da noite
mineira. Parte dessa receptividade se deu devido à imitação
de um trompete que ela faz usando voz e lábios e é
inspirada em Miles Davis e Freddie Hubbard.
Gravou seu primeiro CD Chá de Hortelã com Caviar
(1998), com produção do pianista Leandro Braga
e participações de Guinga e Luciana Rabello. Em
2000, foi destaque no Festival da Música Brasileira (TV
Globo), com a sua composição Pára-quedas,
quando concorreu como intérprete. Já se apresentou
em Portugal e dividiu o palco com Milton Nascimento, Wagner
Tiso, Paralamas do Sucesso e Ney Matogrosso.
Para
saber mais sobre Denise Reis, visite www.denisereis.com.br