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Carlos Navas - Quando o Samba Acabou


Cantor Carlos Navas lança CD Quando o Samba Acabou – Dedicado a Mario Reis

Álbum reverencia um inovador da música brasileira no centenário de seu nascimento

Por Ricardo Santhiago

Já há alguns anos, o paulistano Carlos Navas é saudado como uma voz especial e singular no panorama da canção brasileira contemporânea. Com 11 anos de carreira, acumulando surpresas e despindo-se de vestes que ele próprio toma de empréstimo, chega ao sexto disco, Quando o Samba Acabou - Dedicado a Mario Reis (Lua Music) e firma-se definitivamente como intérprete – apenas e tudo isso.
Pouco pra mim, seu álbum de estréia, cumpriu a função de apontar, ainda em 1997, os muitos e diferentes gêneros que poderia experimentar. Com os dois discos seguintes, Sua Pessoa (2000) e Tanto Silêncio (2003), completa uma trilogia que, sendo musicalmente variada, parece limitar o cantor à interpretação de autores contemporâneos. De fato, nomes como Alzira Espíndola, Fred Martins, Péri, Lucina e Itamar Assumpção são recorrentes em sua obra. O ano de 2004, porém, instala a imprevisibilidade na carreira do artista. Algumas Canções da Arca... é o nome do CD e do show de grande sucesso, que recuperam a obra musical infantil de Vinicius de Moraes. Dois anos depois, a expectativa natural de um segundo trabalho para crianças é matizada com a chegada do CD Pássaro Passará, independente, dedicado à interpretação de poemas musicados de Sueli Batista e com participações de Clarisse Abujamra e Tetê Espíndola.
É essa trajetória incomum que nos assegura o direito de chamar Carlos Navas de um intérprete com e sem adjetivos. Sem adjetivos porque não é um ‘cantor paulistano’, nem um cantor para crianças, nem mesmo um cantor devotado a trazer à luz a música de seus contemporâneos. É um artista – e isso basta. As qualidades que se lhe pode atribuir são outras: afinação precisa, timbre precioso, nuances interpretativas e sabedoria que combina recolhimento e inovação.
Tudo isso é potencializado no álbum Quando o Samba Acabou, homenagem ao cantor Mario Reis a ao centenário de seu nascimento (1907/1981), que, sem apelar para a imitação, como oportunamente frisou Hermínio Bello de Carvalho, mostra os caminhos sinuosos pelos quais o canto de Mario segue influenciando um cantar moderno. Em sua forma mais bonita, um conjunto de dez canções aparece na voz de Navas. Ele se apropria delas como se nunca antes tivessem sido cantadas: de um lado, com frescor, sem a reverência excessiva; de outro, dispensando a preocupação em atualizar o que não perde atualidade, como toda boa arte.
No tributo a este que é considerado o primeiro inovador do canto no samba, conhecido por sua dicção particular, que aproximava o canto popular da fala espontânea, são mescladas canções conhecidas, como Se Você Jurar (Francisco Alves/Ismael Silva/Nilton Bastos) e Jura (Sinhô) com outras obras. É o caso da belíssima faixa título Quando o Samba Acabou, de Noel Rosa, na qual Carlos aproveita para homenagear uma das cantoras que mais o influenciou, Alaíde Costa, com quem ele aprendeu a música.
Outra artista presente na trajetória pessoal e profissional de Carlos Navas é Tetê Espíndola, com a qual divide a faixa Joujoux e Balangandans, de Lamartine Babo, que já foi interpretada em duetos de Mario Reis com Mariah e João Gilberto com Rita Lee. A lição de explorar os recursos oferecidos pelo microfone e pelas demais ferramentas de gravação elétrica é percebida em Filosofia (Noel Rosa/André Filho) e Dorinha, Meu Amor (José F. de Freitas). Sabiá (Sinhô), uma das primeiras canções gravadas por Mario (1928) completa o repertório, junto com Meu Barracão (Noel Rosa), Cansei (Sinhô) e Fui Louco (Noel Rosa/Bide). Arranjos e direção musical são de Ronaldo Rayol.

Para saber mais sobre Carlos Navas, visite www.carlosnavas.com.br





 



Carlos Navas - Quando o Samba Acabou - Dedicado a Mario Reis
1 Filosofia (Noel Rosa/André Filho)
2 Sabiá (Sinhô)
3 Joujoux e Balangandans (Lamartine Babo) com Tetê Espíndola
4 Se Você Jurar (Francisco Alves/Ismael Silva/Nilton Bastos)
5 Quando o Samba Acabou (Noel Rosa)
6 Meu Barracão (Noel Rosa)
7 Dorinha, Meu Amor (José Francisco de Freitas)
8 Cansei (Sinhô)
9 Fui Louco (Noel Rosa/Bide)
10 Jura (Sinhô)