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Ananda Jyoti - Bhadrakali

Álbum é pioneiro na fusão de samba e mantras, estes composições rítmicas tradicionais baseadas na repetição de sons considerados sagrados

De um lado a Índia do percussionista Ananda Jyoti, com sua tabla, instrumento de percussão complexo tocado com a ponta dos dedos, e os tradicionais mantras, composições rítmicas tradicionais baseada na repetição de sons considerados sagrados. Do outro, o Brasil e sua exuberância rítmica e instrumentos como cuíca e pandeiro. A junção dos dois deu no CD Bhadraki, o primeiro solo de Ananda, lançado em 2005 e que a gravadora Lua tem o prazer de recolocar no mercado.
Jyoti chegou ao Brasil em 1999 e logo enturmou-se com músicos locais. Com a influência verde-amarela, sua música e mantras foram “abrasileirados”, mantendo a vibração indiana, profunda, com ritmos dançantes e relaxantes. Ele também compõe as letras, que sempre trazem mensagens estimulantes, baseadas nas músicas sagradas de seu país. Tem mais três discos lançados, dois com o grupo MantraPop e o Mantra Mandala (2006).
Radicado em Brasília, é de lá que Ananda requisitou as vozes de Izabella Rocha (banda Natiruts), Indiana Moraes e Ana Paula Valente, além do cantor Renato Mattos. Participam também do CD Kiko Peres (ex-Natiruts), nas guitarras; Daniel Baker (teclados), Ge Mendonça (baixo) e Edinho Silva (percussão). Também há participações especiais do baixista carioca André Gomes e do mineiro Helder Araújo, que tocou o Sitar indiano.
Toda essa fusão musical também possui um toque espiritual, encontrado tanto na tradição milenar indiana como na forte espiritualidade brasileira. Além do prazer da audição, as músicas pregam um despertar interior, transmitido pelo teor de improvisação das performances.
Da celebração à meditação, o disco, que tem direção musical de Kiko Peres, passa pelo reggae, pop, samba-funk, folk e rap. O título traz embutida uma homenagem a Sri Bhadrakali, Deusa do Tempo e considerada pela cultura indiana a energia feminina da criação, que permeia as forças que se movem no universo.
O trabalho inspira um diálogo pacífico entre duas culturas, demonstrado, por exemplo, em MantraPaz, composta por Jyoti, em português e com participação de Luthuli, garoto da favela da Rocinha (Rio de Janeiro). O jeito descontraído de ser do brasileiro estão em faixas como Krishna Azul e Bole Baba. O reggae Jay Ganesh faz uma saudação ao Deus elefante, removedor de obstáculos, adorado em todo o mundo.

 



 



Ananda Jyoti - Bhadrakali
01.Jay Hanuman
02.Krishna Karuna
03. Amitabaya
04.Mantra Paz
05.Marinheiro
06.Bole Baba
07. Jay Ganesh
08.Cante Mantra
09. Om Shakti
10.Bhadrakali
11. Jay Ganesh
12. Samba Shiva